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EXISTE PARA EXPOR PENSAMENTOS, REFLEXÕES SOBRE O EXISTENCIAL. AQUILO QUE É LEITURA, DESCRITIVA, VISUAL E SOCIAL.
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
MEIGO OLHAR
E um dia, ao amanhecer, estarei velho na aparência, mas novo no conhecimento, saboreando palavras em cordas do tempo, degustando lembranças inesquecíveis. Um leve suspiro irá compor esse momento, esse dia, esse fim... De um belo começo.
Estarei inteiro no portão de um mundo desconhecido de volta para casa. Viagens infindas, caminhos mil e a cada passagem encontrarei outros eus e toda a sua diversidade. Aprenderei folheando lentamente como se apreendesse cada movimento, tentando compreender o todo de cada doce início, saboreando as entrelinhas do momento e sem querer saber o dia desse fim.
Ficarão somente lembranças; sábias, felizes. Estarei pronto talvez, com a certeza de deveres cumpridos, de manhãs de projetos e tardes de realizações, de noites tranqüilas, sem os monstros da consciência sem lua e cor. Quero perder o apego das flores e o sonho do desejo sem macular a primavera e toda a sua descendência, olhar para o futuro sem querer está com o passado em apego e amor. Sorrirei para mim mesmo feliz de ser feliz, de ter saboreado a receita da vida degustando cada momento com paciência, debruçado na expectativa de cada dia ser melhor. A cada passo que dei tinha a certeza de acordar cada dia mais novo com o espelho da realidade na mão e em cada repousar a pálpebra passava a folha do dia e descansava para uma nova leitura.
Saudade é uma palavra brasileira que ficará nesse país. Não levarei para esse novo começo como um apego, não será uma inclinação do sentimento, não estará nas asas de minha canção.
Um dia talvez você se lembre de mim, comente as coisas boas que fiz e aquilo que tanto desejei realizar. Saberão que desgastei todos os sentimentos, utilizei as facetas da arte, me lancei de frente sem medo de errar.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
EU CAJUEIRO
E um dia, ao amanhecer, estarei velho na aparência, mas novo no conhecimento, saboreando palavras em cordas do tempo, degustando lembranças inesquecíveis. Um leve suspiro irá compor esse momento, esse dia, esse fim... De um belo começo.
Folhas de um antigo cajueiro deitarão soltas, amareladas, depreendidas da sua função primeira para na segunda em decomposição está sobre a espessa grama que marca a copa ao chão e naquele dia, testemunham a conversa de uma criança com o seu avô:
-Fala vô o que esse homem tanto fez para merecer o nome dele nessa árvore?
O avô que embalava a netinha no balanço montado sob a frondosa copa do cajueiro parou por segundos e lembranças que ele pensava estarem enterradas sob as grossas e extensas raízes daquela arvore lhe vieram à tona como uma invocação espiritual. O relógio da vida estava naquele momento com o mesmo ponteiro que há vinte anos o marcara para sempre. Como lançadeiras o seu pensamento começou a implodir de informações, de lembranças alegres, de momentos impagáveis, muitos deles simples, quase despercebidos, mas só agora valorizados pela imensurável saudade. Ele via praias, enseadas, campo de futebol, churrasco, bebida, moto, carro, aventura e... Os seus olhos marejantes relutaram para não chorar a solidão que tinha lhe tomado por inteiro naquele momento. Um arrependimento de coisas que deixara de fazer reforçava aquela eclosão de desejos de retornar ao passado, de rever conceitos e refazer coisas que hoje lhe daria um doce prazer.
-Vovô!
Como um forte anzol a sua netinha o pesca para o real, faz o avô retornar daquele labirinto de recordações, daquela nostalgia.
-Balança!
Desnorteando, com a cabeça confusa pelos sentimentos que despertaram em seu coração provocado pelo passado, ele convida a netinha para retornar argumentando o tempo, o lanche da tarde, enfim, retira a pequena do balanço e afaga em seus braços simbolicamente se despedindo do passado, como se aquele abraço fechasse a porta do túnel do tempo.
-O senhor tá chorando?
Ele sorrir para aquele anjinho e lhe explica que foi um cisco da árvore que caiu em seu olho.
-Nos dois?
-Sim, meu amorzinho, nos dois, mas logo o vovô vai está bem.
-Árvore feia.
Uma folha verde cintilante, nada visto naquela manhã e acredito em lugar algum se desprende do velho cajueiro e suavemente cai no colo da netinha que estava nos braços do seu avô. Uma brisa perfumada com aroma de natureza invade todo o espaço comungando com o momento em flor. A netinha sorrir.
-Desculpa árvore.
-Desculpa árvore.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A COR DO SABER
-Bom dia.
O que? Quem será e porque me cumprimentou? Será que essa senhora me conhece ou só quis ser educada? Será que ela está interessada em algo mais, de me levar para devaneios nefastos, receber todas as suas entidades ludibriosas ou..? Meu Deus! Será que ela é isca de ladrão? O portão pesou toneladas e junto as minhas pernas. Um suor frio e sufocante lavava todo o meu rosto fazendo tremer todo o meu ser. Queria voltar, sair daquele portão, não mais ver aquelas pessoas que passavam pela calçada como se estivesse tramando contra mim. Um nó se formou na garganta como um grito grosso e forte querendo sair de uma só vez. As folhas velhas e mortas não se direcionavam mais a sombra da copa ao chão, mas parecendo estarem sendo enviadas pelas mangueiras. Todo o universo conspira contra. Quem poderá me salvar?
-Papai!
O que?
-Faz tempo que te chamo. Não vai me levar para a aula de pintura? Na aula passada a professora explicou sobre a cor do saber. O senhor sabe qual é a cor do saber pai?
Meu Deus, o que foi isso?
-Não é o que foi e sim o que é isso pai? A pergunta é...
Vamos filha.
Vamos então.Nunca ninguém me responde nada. A cor do saber deve ser isso, não se responder.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
A Viúva
Em busca de uma foto do Macaibense Augusto Severo nas páginas virtuais da net me deparei com um site que de cara me chamou atenção. Era uma poesia sobre a viúva, vi o título da poesia "Viúva negra" logo me reportei aos bancos de réus que indignado vou ser jure e em um desses; a ré era conhecida por viúva negra.
-Para, não ri.
Peço desculpas, mas foi o que de primeiro o título me fez visualizar. Já era o terceiro marido que aquela aparentemente frágil e franzina senhora com feição bondosa me fez pensar.
Li atentamente a poesia de João da Mata, que até o sobrenome do autor me levava ao meu banco de memória, mas inúmeras fotografias de símbolos misturando-se harmoniosamente com mulheres de uma ficção heróica, mítica onde mistura o sacro/profano me fazendo beijar os pés de Dali a Picasso.
Caramba! O que esse ditirâmbico escritor está fazendo com os meus arquivos? Abrindo-os como mágico a caixa de Pandora e retirando todas as ligações que eu tenho a guardar de um mundo que nada me agrada.
-Tem medo de que monstro?
O enorme medo de ser convocado mais uma vez pela justiça para realizar um ato que leva você a decidir a vida de um outro ser. Me sinto na santa inquisição, prestes a enviar alguém a fogueira ou... Liberdade sempre.
-Mesmo que seja um monstro?
-Tem medo de que monstro?
O enorme medo de ser convocado mais uma vez pela justiça para realizar um ato que leva você a decidir a vida de um outro ser. Me sinto na santa inquisição, prestes a enviar alguém a fogueira ou... Liberdade sempre.
-Mesmo que seja um monstro?
Vê como viajei. Esse João é muito bom. Meus parabéns.
-E a viúva primeira, a minha?
Ganhou liberdade pela terceira vez. Falta de provas e alegado legítima defesa.
domingo, 24 de abril de 2011
A PORTA
Indignado o homem de meia idade reordenava o colarinho da camisa de linho verde desbotada, como se fosse um touro prestes a atacar; em expressão e trejeitos, corpo inquieto, lábios trémulos e olhos lacrimejantes. Aquele corpo prestes a explodir pedia solução.
-Era um homem bomba?
Aquela noite fria e lúgubre era a atmosfera perfeita para o inesperado acontecer, era o cenário do dia D da vida daquele pobre e indefeso mortal.
-Caramba! Até parece roteiro para Zé do Caixão. Muito sinistro.
Lacrimejava a emoção ferozmente contida na escura estribaria daquele bruto corpo. Preso em um invisível espaço surreal, nas amarras da formação sócio familiar. Que destino esperava na fração dos minutos contidos...
-Pára! Que história complicada!
Daquele homem que caminhava no escuro da vida em direção do abismo do ceio familiar...
-Pára, eu já falei!
-Muito chato o que você fala e é cheio de complicação. O senhor não ia falar do homem que ia dizer aos pais que era gay, ou não?
Abre a porta que inerte está ao seu tenebroso conflito, com as mãos tremulas e molhadas pelo suor do nervosismo e espremidas em gotas que escoem naquela fria e metálica maçaneta de bronze envelhecida, o homem suspira forte pedindo socorro aos céus.
-Eu não digo que o senhor só complica com essa conversa comprida. Até parece um escritor. meu Deus, é uma coisa tão simples de dizer, mas não, ele faz bicos e rendas para dizer aos pais que é gay.
Relutante ao que iria revelar para aqueles que tanto o admirava como um homem integro e honesto, que estava buscando segurança financeira para poder constituir uma família; esposa, filhos. A continuidade daquela geração pairava como uma nuvem chuvosa sobre aquele calvo homem.
-Tá vendo como ele é complicado; falou pelas tabelas e da porta não saiu. esses anos todo de vida para se decidir e quando vai falar, fica nesse chove não molha. Pra mim chega!
Você fala assim porque não sabe como é complicado se aceitar e principalmente assumir para os pais. Sou filho único e mesmo que tivesse mais filhos, sei que vai ser a morte pra eles.
-Morre um, mas nasce outro, bem melhor, bem resolvido, feliz com ele mesmo. Não complique. Se os seus pais o amam tanto assim como você acha, então eles vão de início ficar tristes, mas rapidinho irão te abençoar e te amar da mesma maneira, quem sabe amarão até mais. Entra besta, abre essa sua porta e se liberta dessa agonia.
Pingos latejantes escorriam no rosto gelado...
-Entra ou não entra, mas ficar nesse lenga lenga você não vai ficar mesmo. Veja, a porta se abriu, e é a sua mãe. Vamos, coragem. Respira fundo e fale!
Mãe, já faz muito tempo que...
-Seja objetivo. Fale!
Mãe, eu sou...
segunda-feira, 11 de abril de 2011
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